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Deflação? Medo, muito medo


Economistas alertam para o risco de deflação em Portugal
Por Sérgio Aníbal
In Público, 17.12.2012

Pela primeira vez desde pelo menos 1978, o deflator do PIB caiu em Portugal para valores negativos. Se o fenómeno se prolongar, o país pode arriscar-se a cair na armadilha da deflação

  • Para o Governo e para a troika, é apenas uma redução não permanente dos custos que irá ajudar o país a reconquistar a competitividade perdida, mas são vários os economistas que vêem a recente descida da variação dos preços na economia para valores negativos como mais um sinal de que Portugal se arrisca a cair na perigosa armadilha de uma deflação prolongada.

    No segundo e no terceiro trimestre deste ano, pela primeira vez desde pelo menos 1978 (o primeiro ano das séries longas do Banco de Portugal), o deflator do PIB - que mede a variação dos preços no total da economia, não apenas no consumidor - registou valores negativos.

    Este resultado inédito deverá conduzir, segundo as últimas previsões da OCDE, a que, no total de 2012, se venha também a registar, pela primeira vez em décadas, um deflator do PIB negativo.

    A taxa de inflação no consumidor está também a descer, tendo ficado abaixo da barreira dos 2% em Novembro, mas sendo ainda sustentada por subidas homólogas de preços significativas em bens como os combustíveis e pela subida do IVA operada recentemente.

    Para Luís Campos e Cunha, professor na Faculdade de Economia da Universidade Nova, há nestes números um sinal de alerta que é necessário levar em conta. "Infelizmente, vejo essa evolução como sinal de uma "recessão com deflação". É uma combinação muito perigosa porque não temos política monetária nacional e a política orçamental só pode agravar a situação, em consequência da quase bancarrota de 2011", explica.

    O ex-ministro das Finanças e ex-vice-governador do Banco de Portugal considera ainda que "a deflação possivelmente não é mais aparente e não se mostra nos preços do consumidor, porque há efeitos do IVA". "Só o tempo poderá confirmar ou não os meus receios", afirma.

    À primeira vista, uma descida de preços na economia poderia parecer uma boa notícia, uma ajuda para que os portugueses enfrentassem melhor a descida de rendimentos que já sofreram e que se irá intensificar no próximo ano. No entanto, por trás dessa vantagem aparente, a deflação esconde perigos bem mais graves, que já foram comprovados no passado durante a Grande Depressão dos anos 30 do século passado ou na crise japonesa iniciada nos anos 90.

    Uma deflação prolongada coloca os países numa situação em que, devido a uma expectativa permanente de descida de preços, o consumo das famílias e o investimento das empresas não arrancam, deixando a economia num estado de autêntica depressão.

    Será isto que está a acontecer a Portugal? João Rodrigues, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, acha que sim. "O espectro da deflação é a melhor indicação de que podemos, graças à política de austeridade permanente que comprime a procura, estar a sair da recessão para entrar na depressão", afirma.

    No programa de ajustamento acordado entre as autoridades portuguesas e a troika, a história é contada de outra forma e aponta para um final diferente. Aí, a contracção de custos na economia é apenas vista com um passo necessário para que a economia portuguesa reconquiste a competitividade perdida. A fuga a uma espiral depressiva aconteceria neste caso graças ao sector exportador.

    Luís Campos e Cunha reconhece o desempenho positivo das exportações, mas teme que isso não chegue por si só para travar a ameaça da deflação. "Como sempre defendi, a competitividade da economia portuguesa para exportar não era um problema e a prova disso tem sido o excelente desempenho do sector", afirma.

    João Rodrigues não vê qualquer sinal positivo nas contas externas. "Os últimos dados do INE apontam para uma forte desaceleração do crescimento das exportações, em grande parte devido à replicação das políticas de austeridade nos principais mercados europeus de destino das nossas exportações. A correcção do desequilíbrio externo é feita cada vez mais à custa do colapso do mercado interno", afirma.

    Um dos maiores problemas que a deflação traz a um país fortemente endividado como Portugal é que torna ainda mais difícil a amortização da dívida. No seu último relatório, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) alerta para este perigo. Um deflator negativo do PIB, contra as previsões do Governo, significa que o PIB nominal vai cair ainda mais do que o projectado, o que faz com que o peso da dívida pública na economia seja ainda maior e, por isso, mais difícil de pagar.

    "Se se vier a confirmar tal situação, de facto, ficará mais complicada a tarefa de estabilização das finanças públicas", reconhece Campos e Cunha.

    João Rodrigues lembra uma frase do economista norte-americano Irving Fisher, sobre a forma como interagem a deflação e a dívida: "Quanto mais os devedores pagam, mais os devedores devem".

Mundo sem fim à vista

 
O mundo pode acabar hoje, ou pode não acabar nunca. Uma coisa é certa, que o garantem os cientistas da NASA: a 21 de dezembro de 2012 é que não acaba.
 
 

O Pedro no facebook


- Olá querida, 'tá boa? Com'é que vai ? Já leu o Pedro?
- Olá menina, 'tá tudo bem, tudo bem. E você, 'tá boa?...Pedro? Qual Pedro?
- O Pedrocas, o nosso primeiro-ministro!
- Hum..Pedrocas?
- Sim, o Pedro. Não viu? Ontem foi à televisão. Eu adoro, adoro vê-lo. Mas ainda adoro mais lê-lo.
- A menina está numa excita! Mas onde é que o leu?
- No facebook.
- Ah...só o vi na televisão. Parece que vai cortar ainda mais salários. Um aborrecimento... para os pobres, 'tá claro.
- Mas ele tem razão! Coitado. Não pode fazer mais nada. Tem de cortar nos pobres, eles merecem....
- Merecem?
- Armaram-se em ricos durante imenso tempo. Coitados, queriam ser como nós, 'tá a ver? Ora isso não pode ser.
- Pois, suponho c'a menina tenha razão.
- Pois claro que tenho. Ele tem de os pôr no lugar deles.
- Ah...e também vai baixar o salário dele? E o daqueles outros senhores administradores dos 18 institutos públicos que podem ganhar mais do que ele?
- A sério? Ganham mais do que ele? Dezoito institutos? Não me diga! Mas isso não tinha sido proibido?  Enfim, não sei se vai cortar nesses...mas acho que não...ele não vai cortar só nos pobres? Quer dizer, nos pobres e nos remediados...hoje em dia é quase a mesma coisa.
- Pois é..e agora parece que ainda vai ser mais assim...
- Oh querida, que coisa, lá está a menina com esses seus tiques de esquerda.
- Dá-me pena, você sabe...
- Sim, sim, já sei, os pobres são simpáticos...e agora vai haver cada vez mais simpáticos para a menina gostar.
- A menina é má!
- Oh querida, claro que não sou má. Estou a brincar, não vê? Enfim, isso agora não interessa nada...ele agradeceu...
- Agradeceu?! Não ouvi nada...
- Pois, essa mania de não querer estar o facebook...era o qu'eu lhe 'tava a dizer. 'Tá a ver o c'a menina perde?
-  Agradeceu no facebook?
-  Sim, sim, escreveu "obrigado" e assinou "Pedro". Não é fofinho?
-  Um fofinho, de facto. E agradeceu a quem?
- Aos amigos.
- Aos amigos?
- Ele começou mesmo assim," amigos vírgula". Suponho que se dirigisse a eles, a menina não acha?
- Acho. Que horror! Não me diga que tem amigos pobres.
- Pois, visto desse ponto de vista é estranho... mas foi isso que ele escreveu...terá sido engano?
- Bom, deixe lá isso. E porquê que ele agradeceu aos amigos?
- Diz que fez um discurso dos mais ingratos que um primeiro-ministro poderia fazer aos portugueses.
- Lá isso também me pareceu que foi um bocado ingrato da parte dele: depois de todos os sacrifícios que os portugueses já fizeram, ainda vir com mais estes agora...mas o que é que os amigos têm a ver com isso?
- Enfim, teve de se justificar por causa dos cortes salariais...
- Aos amigos?
- Não, aos portugueses...
- Então porquê que se dirigiu aos amigos?...
- Não sei... ai, que coisa, a menina baralha-me! Olhe nem quero saber.. acha que eu percebo alguma coisa de política? Claro que não. Isso é coisa de pobre. Estava só a fazer conversa.

I cannot live without books


Uma semana fora. Por querer e sem querer, não li jornais, não vi noticiários, não fui ao computador passar os olhos sequer pelos títulos dos jornais on line. Como não uso ipads e afins, desliguei da minha relação actualmente mais ou menos doentia com os media.

Ontem à noite, sentei-me aqui, e percebi que estava tudo igual ou pior do que quando parti, mala feita de alheamentos. Dir-se-ia que, tal como após a construção da Torre de Babel, alguém terá dito da Europa: "(...)Vamos: desçamos para lhes confundir a linguagem, de sorte que já não se compreendam um ao outro (...)"(Bíblia Sagrada - Livraria Figueirinhas), por não querer que sejamos um só povo e falemos a mesma língua.

Evocações bíblicas em turbilhão, prometi a mim mesma que a menos que acabe por concluir que a leitura de Santo Agostinho do Apocalipse - regresso do demónio e fim do mundo - se situa na Europa de 2012/2013, o que é uma improbabilidade, mais que não seja porque imagino que até satanás esteja a par da nossa residual importância geoestratégica, farei um rentrée de mil leituras apenas. Levei três ou quatro livros, mas acabei por ler sobretudo os comprados numa imprevista feira do livro, exigindo agora os outros a minha atenção.

Parece que Thomas Jefferson, o terceiro Presidente dos Estados Unidos, entre 1801 e 1809 terá dito, "I do not take a single newspaper, nor read one a month, and I feel myself infinitely the happier for it", dizendo ainda (desconheço se a título de conclusão) : "I cannot live without books".

Toda a gente sabe que os homens...


"Os maridos das outras" é a canção que Portugal trauteia este verão. A letra, de Miguel Araújo, muito bem esgalhada aliás, tem sido sujeita a tratos de polé interpretativos e, "silly season" para que te quero, também dei comigo a pensar onde vai ela buscar o seu lado cómico.

Já ouvi classificá-la como uma canção irónica. Dou de barato que seja a figura de estilo que marca a ideia da letra, mas não me parece que ao longo dos versos se diga, no essencial, o contrário do que se quer dar a entender (Houaiss da Língua portuguesa).

Então, como e porquê que a letra nos diverte, toda ela e não apenas a sua ideia? Creio que o efeito cómico é provocado, sobretudo, pela forma como Miguel Araújo tira proveito, não de uma, mas de duas falácias (erros de argumentação) conjugadas, próprias de algum tipo de raciocino feminino sobretudo urbano (português?), intuído na expressão "toda a gente sabe que...".

A primeira falácia é a de que os homens são "brutos", "feios", "lixo" e "animais", se forem os nossos maridos. E é uma falácia porquê ? Porque se alguns o serão, outros não o são. Logo a informação está incompleta, e portanto trata-se de uma generalização abusiva destinada, no caso, a fazer rir.

A segunda falácia é a de que "os maridos das outras" são em absoluto o oposto, o que estatisticamente também nunca poderia ser verdade.  As expressões exageradas como o "arquétipo da perfeição", "pináculo da criação" e "amáveis criaturas" acentuam a extensão do equívoco, aumentado portanto a comicidade da ideia.

Tudo isto é envolto de facto - chegámos lá -  num manto bem pouco diáfano de ironia: quando se diz que os nossos maridos têm carradas de defeitos, que os maridos das outras não têm, e "que servem para fazer felizes as amigas da mulher", obviamente que se quer dizer o inverso, isto é, "vocês são tontas ou quê"?

No género canção de verão, é uma letra mesmo muito bem achada, e revela uma olhar fino, inteligente e risonho sobre alguns vícios de raciocínio femininos.

Fiança: o drama de uma mera assinatura


Em meados do mês passado, os media noticiaram que ser fiador é actualmente a terceira causa de sobreendividamento em Portugal. Traduza-se: pessoas que, por bem dos que lhes pediam, e crédulos num país que aparentemente dava garantias eternas de emprego para todos, aceitavam ser fiadores de outro alguém - familiares, amigos e até meros conhecidos (!!) - acabam agora na pobreza, muitas delas com penhora dos seus poucos bens.

A fiança foi um instituto pensado sobretudo para valores reduzidos, e para funcionar a uma escala social rural ou rural/urbana, com parcimónia, responsabilidade e bom senso, baseado precisamente na relação de "con-fiança" entre as três partes. Não se destinava a apanhar pessoas de boa-fé em contra mão, como perversamente está a acontecer hoje em dia.

O devedor só pedia a alguém para ser fiador, se a sua própria sobrevivência ou da família dependesse disso. O fiador conhecia e acreditava no devedor (ou na família deste) para honrarem o compromisso e assumia responsavelmente a garantia, medindo o seu peso nas suas próprias finanças. O credor, por seu lado, emprestava, acreditando que no final seria pago, porque conhecia pessoalmente (por regra) ambas as partes.

O instituto jurídico da fiança permaneceu imutável nos artigos 627º a 633º do Código Civil, enquanto o mundo dava uma pirueta de 180 graus. Os portugueses mudaram. Os mutuários caprichosamente queriam o que desejavam.  Os fiadores irresponsavelmente cediam, não medindo a extensão das obrigações a que ficavam vinculados mediante argumentos como "o que é que custa, é só uma assinatura, é evidente que vou pagar eu tudo". Os credores maliciosamente contentavam-se com a declaração de IRS dos fiadores, e com a sua assinatura (usando e abusando dele aliás, fazendo calada regra da excepção da renúncia ao benefício da excussão prévia, que lhes permite até executarem o património do fiador antes mesmo do do devedor).

Os últimos anos foram, neste aspecto como em outros de idêntica natureza, uma "belle époque" irresponsável, que não deixa saudades. Nenhumas.

O lado bom da privatização da RTP 2


Há duas formas de encarar o anúncio da escolha da RTP 2 para privatização. A primeira é negativa: as boas notícias actualmente escasseiam, pelo que era inevitável que o Governo optasse por privatizar aquele dos dois canais de melhor qualidade, e o que presta aliás um notável serviço público de televisão.

A outra é a positiva. Finalmente, vamos  voltar a falar da medida em que cabe ao Estado cumprir as obrigações de serviço público. Espero que, perdendo o canal a que o serviço público acabou por ficar quase exclusivamente afecto, se ganhe um novo, este equilibrado e sensato, livre pelo menos do  excesso inadmissível e abjecto de tralha televisiva que atafulha hoje em dia a RTP-1.

Portugal insensato


A reportagem desta manhã na Antena 1 procurava demonstrar a seguinte tese: os portugueses que ainda vão para o Algarve procuram as estradas secundárias, evitando as antigas SCUTS uma vez que agora têm portagens.

Uma coisa que aprendi na minha vida foi a não julgar as prioridades alheias. Cada pessoa tem as suas, e não têm de coincidir, sob pena do mundo tombar. Para mim, o adágio de que "os gostos não se discutem, mas educam-se" tem aplicação exclusiva àqueles a quem nos calha educar e, para os outros, é de usar apenas o "vive e deixa viver".

Hoje, porém, nem queria acreditar. As respostas às perguntas do repórter de verão daquele canal de rádio eram a de que a opção se justificava por mais barata, apesar de implicar cerca de mais uma hora de caminho. Ah, e poupa quanto? Cerca de € 20... que sempre dão para uns pequenos almoços e uns lanches, ou para um cozido à portuguesa em Canal Caveira, acrescentavam. E riam-se.

Por acaso, fiz bem poucas vezes a viagem Lisboa-Algarve, mas a recordação que tenho das estradas secundárias que levam àquela região é de uma absurda insegurança, de um trânsito medonho, e de um urbanismo arrepiante, revelador de parte das entranhas de Portugal que mais haveríamos de querer esquecer, na impossibilidade de fazer implodir.

A tudo isto aquelas pessoas se manifestavam absolutamente indiferentes. Segurança, para o que aliás no final da reportagem a polícia veio alertar, foi assunto que nem lhes passou pela mente - e muitas delas teriam os filhos no banco detrás; a irritação que o excesso de trânsito provoca, também não as tocava; a indigência estética da paisagem, é evidente que nem lhes ocorreu, (mas essa é aquela parte das prioridades que, não colocando ninguém em risco, não discuto de todo).

Desde que com a barriguinha cheia de pequenos-almoços e lanches comprados nos snack-bares de beira da estrada (que isto de levar sanduiches e sumos de casa dá trabalho), ou o cozidinho assegurado, no eternamente insensato Portugal "está-se bem".

"Peço desculpa"


Fiz há pouco um exercício divertido: googlei a frase "pede desculpa" e obtive milhares de resultados.

Este fenómeno global das sociedades democráticas (abjectos regimes autoritários nem para este comentário contam, bem entendido) de se dizer, fazer, mandar fazer, perceber que se fez contra as nossas ordens, ou ao sabor do nosso desleixo ou distracção, graves dislates que seria bem melhor que não tivessem sido ditos ou feitos, - de que são exemplos, Bush e os abusos cometidos por soldados americanos sobre detidos iraquianos, o rei de Espanha e a matança dos elefantes, Christine Lagarde e as crianças gregas, Relvas e o Público (mas há tantos mais!) - e logo a seguir apenas pedir desculpas públicas, não será um exercício perfeitamente pueril se levado a cabo por pessoas com responsabilidades nacionais ou mundiais?

Antigamente, ficava para a História quem pedisse desculpa na firme intenção de assumir as consequências do pedido. Se Egas Moniz não se tivesse apresentado a D. Afonso VII de Leão e Castela, com a família, todos com uma corda ao pescoço, e apenas tivesse pedido desculpas pelos actos de rebelião de D. Afonso Henriques - ou se pelo menos a lenda não fosse essa - alguém recordaria o episódio? Foram os baraços que lavaram a honra de Egas Moniz, não o pedido de desculpas.

Hoje em dia, como a honra do seu titular parece beneficiar da condição inatacavelmente imaculada do cargo público que ocupa, e não o inverso, e na frenética tentativa de não se entrar para a História pelas piores razões, começa por se pedir desculpas publicamente, e depois acende-se uma vela para que alguém faça uma asneira ainda maior num período inferior a dois dias - o que é uma consabida probabilidade no mundo mediatizado em que vivemos.

Por fim, o que foi dito ficou dito, o que foi feito ficou feito, mas como já não se fala do assunto pervalece a  consoladora convicção, pelo menos por algum tempo, de um redentor rewind. E todos aos seus postos.

Igualde entre os sexos: só a indiferença é sinónimo de deferência


REUTERS/Pascal Rossignol

Jean-Marc Ayrault, em França, conseguiu a paridade no governo recentemente formado, tal como prometido eleitoralmente por François Hollande. Como fez? Contou 17 homens para um lado, 17 mulheres para outro e chamou-lhe um governo paritário.

Como sou mulher, defendo a igualdade entre sexos e sou absolutamente contra a discriminação feminina, estou à vontade para dizer que acho que Hollande e Ayrault  sabem fazer contas, são politicamente correctos, mas assumiram uma inaceitável atitude paternalista e portanto perversa no que concerne à igualdade no respeito por homens e mulheres.

O que aquela contabilidade me diz é que Hollande/Ayrault não procuraram um governo competente na mais respeitosa indiferença pelo sexo dos ministros, mas um governo apenas paritário. E isso não é necessariamente uma boa opção por muitos aplausos que suscite. Nem má, aceite-se, mas é suspeita: quem é que me garante que não se preferiu em alguns casos prejudicar a competência de um ou outro ministério, em benefício da paridade formal do governo? Não haveria dois homens mais aptos para os cargos que foram ocupados por duas mulheres, ou duas mulheres que fizessem um melhor lugar que dois dos homens escolhidos?

É claro que sei que isto faz parte de uma estratégia dos países democráticos para darem o exemplo de promoção das mulheres na sociedade. Mas será que esta paridade extremada não é tão plástica e ridícula como seria ter escolhido 17 ministros adeptos do Paris Saint-Germain e 17 do Monpellier Hérault?

Um governo não é propriamente um corpo de dança de tango ou valsa. Não precisa de parelhas.Os ministros de qualquer dos sexos distinguem-se pela personalidade, capacidade de trabalho, inteligência e aptidão para aos cargos que vão exercer. Ter evitado este exagero na procura da igualdade formal (sobretudo quando a material está prejudicada, porque as pastas mais importantes foram entregues a homens) seria obstar a que fosse sub-liminarmente lançado sobre as mulheres membros do governo - ou pelo menos sobre algumas delas - o opróbrio de exercerem um cargo para que um qualquer homem seria mais apto.

A indiferença pela absoluta paridade teria revelado bem mais deferência pela inteligência feminina e pelo seu actual estatuto nas sociedades ocidentais que esta paridade manifestamente esforçada.

A good moan


Um bom queixume
Por Miguel Esteves Cardoso (Público, 16.12.2011)

Os ingleses elogiam o valor terapêutico de um good moan. É quando se desabafa e deita abaixo tudo aquilo que nos irrita e complica a vida, com o exagero e a delonga que se quiser, diante uma pessoa que é empática e boa ouvinte, compreendendo e concordando com a mais breve das expressões, sem jamais interromper.
Num exemplo desse queixume que, quando finalmente chega ao fim, alivia quem se queixou, uma colunista inglesa acusava o sexo masculino de ser incapaz de desempenhar o papel de ouvir e achar horrível o que ouve. Enquanto as mulheres encorajam a exposição do problema e não saem dali enquanto ele não for exausto, os homens, numa aflição histérica e maldosamente atribuída às mulheres que temem, atropelam-se para interrompê-las, oferecendo soluções práticas para o que nem sequer finge não ser de natureza metafísica.
Aquele bom queixume é um problema. Mas o que torna o queixume bom é não ter solução. Um good moan não é um pedido de ajuda (os homens sofrem, com delícia, da ilusão que podem ajudar não só os outros homens como as mulheres): é uma invocação de solidariedade, com base na certeza existencial e irrefutável que diz: "Tanto poderias ser tu, como agora sou eu."
Os ingleses e as mulheres têm razão. Das mulheres inglesas, então (como a minha Mãe) nem se fala. Ouve-se apenas. E aprende-se. Tanto aprendemos a sabermos ficar calados quando se queixam, como aprendemos a queixar-mo-nos - haja ou não haja solução. Ou ouvintes.

Insolência versus inteligência


Às vezes pasmo com a facilidade com que certos pais confundem insolência com inteligência nos filhos.

Talvez uma consulta ao dicionário lhes fizesse perceber que não têm de render os seus respeitos a uma criança, adolescente ou jovem, apenas porque impertinentemente aproveita uma  situação que lhe é desfavorável para, descontextualizando-a, a arremessar contra quem a repreende ou simplesmente lhe faz uma observação que lhe desagrade.

Tratar a impertinência como um mero despropósito, gracinha inconsequente ou, mais grave, como demonstração de inteligência  ( isto é, " capacidade de apreender e organizar os dados de uma situação, em situações para as quais de nada servem o instinto, a aprendizagem e o habito" ou mais simplesmente " a faculdade de conhecer compreender e aprender") é não perceber que a inteligência e a insolência só têm uma coisa em comum: a capacidade de "tirar partido das circunstâncias".

No caso da inteligência, saber tirar partido das circunstâncias é bom. Na insolência, é um perigoso sinal de má-educação, desrespeito, desdém, atrevimento e inconveniência. E não se argumente que dizer isto é rejeitar a rebeldia como parte do processo de crescimento: rebeldia e insolência são dois comportamentos distintos, e não se deve permitir que a condescendência e às vezes até cumplicidade que reservamos em geral para com alguma saudável rebeldia se estenda à inaceitável insolência.

[Agradecimentos ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, hoje redobrados em virtude de ter sido objecto de uma petição pública para ser retirado do mercado brasileiro, por assinalar como significado expressamente pejorativo  de cigano o de "aquele que trapaceia; velhaco, burlador” e “aquele que faz barganha, que é apegado ao dinheiro; agiota, sovina"...e o Ministério Público foi na onda (tudo aqui)....haja paciência!]

Na zona de desconforto das propostas irrecusáveis


A história do escuteiro que obriga a velhinha a atravessar a estrada, para mim ilustra bem os episódios últimos da relações entre a Grécia e Portugal, de um lado, e os que nos tentam resgatar dos respectivos pântanos de dívidas e deficiente gestão. O escuteiro cumpre a sua boa acção do dia, a velhinha nada pode contra aquela vontade cega de ajudar.

Sendo obviamente certo que a velhinha teria sempre de atravessar a estrada para aceder ao pote de ouro, sabido era, ainda antes da assinatura do acordo para o segundo resgate grego, que a opção de permanência no euro da Grécia podia ser pior que a inversa (sendo que o contrário também é verdade).

Facto é que expectativas de crescimento económico continuam baixíssimas para a Grécia, mas também para Portugal (com uma economia raquítica e um desemprego galopante...) pelo sinceramente não me  surpreenderá uma eventual multiplicação de propostas à "O Padrinho" de F.F. Coppola, como a do ministro do Interior alemão, Hans-Peter Friedrich que, sábado passado, numa entrevista ao «Der Spiegel», terá opinado que a Grécia deveria sair da zona euro, criando-se "incentivos para uma saída que não possam ser recusados", dado que "fora da União monetária, as hipóteses da Grécia se regenerar e se tornar competitiva serão seguramente maiores do que se ficar na Zona Euro."

Pese embora prontamente contrariado pela Senhora Merkel, como não desconfiar aqui do truque do "polícia mau e do polícia bom", mesmo que não pré-combinado: a um primeiro cheio de ameaças veladas e confusas, segue-se um segundo de veludo, pronto para a negociação?

A supostamente solidária e coesa Europa poderá estar prestes a entrar numa, ainda há bem pouco tempo, impensável e arriscada zona de desconforto das propostas irrecusáveis para negociação de saídas. Será este um dos tais imprevistos que a História lerá como inevitabilidade (aqui)? E alguém tem ideia onde é que isto poderá levar a União Europeia?

Se nada disto acontecer, e acabarmos numa Europa reunificada e fortalecida, serei obrigada a tirar o chapéu aos "escuteiros" que terão visto o que mais ninguém hoje consegue ver.

Não há melhor educadora do que a mãe?


1. Não me preocupa particularmente o que diz o Cardeal Manuel Monteiro de Castro, que não é da minha Igreja (aliás, nem tenho Igreja, nem partido, o que me tem poupado alguns dissabores).
2. Em minha opinião, eu teria educado bastante bem o meu filho, se tivesse optado por ficar em casa a educá-lo, é um facto. Grata pelo voto de confiança.
3. O Senhor Cardeal não pode, contudo, dizer que isso teria sido o melhor para o meu filho - e consequentemente para a sociedade - porque não me conhece: posso ser uma pessoa sem princípios ou valores, o que faria de mim uma péssima educadora.
4. Acresce que não pode ter a certeza que eu preferisse ter ficado em casa mesmo que me fosse pago um salário, porque trabalhar, por sorte, é para mim também uma opção de vida que, não tenho dúvidas, muito valoriza a minha contribuição para a sua educação.
5. Também não percebo por que razão há-de desconsiderar o pai do meu filho. Por acaso, até tenho  ideia de que o poderia ter criado bastante bem, se tivesse sido essa a sua escolha.
6. Do mesmo passo, não vejo como saberá que o meu filho teria preferido ser educado apenas por mim, e não por um número diversificado de pessoas, como sejam, para além de mim, o pai - porque os pais agora também se empenham, Senhor Cardeal - avós e escolas/colégios. Acabei, aliás, de lhe colocar a questão: "- Claro que preferia ter sido educado por todos, como fui!".

44% dos portugueses recusam a democracia...importa-se de repetir?


A notícia de que um estudo recente (in "Público" de 19 de Janeiro 2012) concluiu que apenas 56% dos portugueses consideram que a democracia é o melhor de todos os sistemas se excluirmos todos os outros,  parece-me que só prova que em Portugal se confundem os conceitos de autoridade com autoritarismo.

Na verdade, e da leitura da notícia do "Público", do estudo resulta para mim óbvio que as pessoas anseiam em Portugal - como em qualquer país do mundo - por algo que não têm obtido, nem na vida política, nem laboral: o exercício de autoridade revelador de capacidade de administração, de equaninimidade e de coerência de condutas.  E isto não é de todo incompatível com a democracia, é mesmo uma condição do seu exercício.

Recuso-me a ler aquelas conclusões no sentido de que 44% dos portugueses apreciariam viver num regime autoritário, preferindo a imposição ao respeito, a mera submissão à livre expressão da opinião, a resignação conformada à aceitação informada, a manipulação de interesses a uma direcção firme, o controlo à supervisão, isto é que se substituíssem despudoradamente critérios rigorosos próprios de regimes democráticos com senso de autoridade, por bem ou mal disfarçadas arbitrariedades específicas de regimes autoritários.

Cabe na cabeça de alguém que, se fosse efectuada uma boa revisão de conceitos, se recusasse que a governação fosse exercida através de critérios reconhecíveis e reconhecidos para efeitos de validade das regras que regulam a sociedade portuguesa? Será que alguém, em seu juízo perfeito, por muito ignorante, poderia querer cumprir normas e procedimentos injustos por ter medo de ser multado ou mesmo preso, ou ser considerado legitimamente despedido sob alegação de que não se é suficientemente bonito para se trabalhar numa fábrica de sapatos?

O que há na sociedade portuguesa como em muitas outras provavelmente (mal sei da portuguesa, pelo que me abstenho de pronunciar sobre as outras) é, como não podia deixar de ser, a percepção de que os líderes eleitos cedem ao clientelismos, prejudicando a eficiência socio-económica das nações e a redistribuição justa da riqueza.

Mas isso significa que as pessoas procuram o oposto da democracia, ou seja o autoritarismo, ou apenas que anseiam por um justo e legítimo exercício de autoridade no seio de um regime democrático?

Crise, a estupidez insiste sempre


Mais uma agência de rating resolveu baixar os níveis de classificação de uns tantos países da chamada zona euro -  uma zona perigosa, atómica mesmo, já com barramentos policiais e fitas listadas brancas e vermelhas. A Portugal, a Standard & Poor's baixou, ontem à noite, o rating para lixo financeiro (BBB- para BB+).

Há qualquer coisa de guerra em tudo isto, já foi dito e redito.

Comparando a peste a uma guerra, escrevia Albert Camus em «A Peste», Edição Livros do Brasil, Colecção Miniatura, tradução de Ersílio Cardoso:

 "(...) Quando rebenta a guerra, as pessoas dizem: "Não pode durar muito, seria estúpido". E, sem dúvida, uma guerra é muito estúpida, mas isso não a impede de durar. A estupidez insiste sempre e compreendê-lo-íamos, se não pensássemos sempre em nós (...)".

Pouco importa se os ratings são justos ou injustos, consistentes ou inconsistentes, fundados ou infundados. Pouco importa se a crise financeira mundial é estúpida ou não, nada a impede de durar.

Dez graças para 2012


Em finais de 2010, apenas desejei "2010, just freeze, please". É claro que o génio da lâmpada fez ouvidos de mercador, e 2011 foi muito pior do que se antecipava. Desisto de desejos, portanto

Na altura fui buscar um artigo de Pacheco Pereira e agora fui repescar também um dele, mas para lhe contrapor dez graças ao seu enunciado das nossas "dez desgraças" de que esta  é a oitava, e a que creio mais bem achada, aliás.

Por muito que, economicamente, estejamos condenados nos anos que se seguem a reduzir-mo-nos à nossa insignificância de 1975, o que nos impede de criar um devir intelectual e psicologicamente mais promissor, em lugar de nos auto-limitarmos a uma letargia inconsequente motivada (também, mas não só) pela avalanche de más notícias?

1. Ler mais e, como diria Gonçalo M. Tavares, melhor. E não digo comprar mais livros, digo ler, LER, sejam os livros que tenhamos em casa e nunca chegámos a ler, sejam os emprestados pelos amigos, ou os que existam nas bibliotecas, locais estes que deveríamos aprender ou reaprender a visitar com frequência.

2. Treinar a assertividade (atitude que nos permite defender os nossos direitos, sem agredirmos terceiros e sem lesar os seus próprios direitos). Ao reclamar, atentar no essencial e não no acessório ou irrelevante para o caso.

3. Aprender o prazer de andar a pé. Caminhar traz benefícios físicos mas também  psicológicos:  tanto permite pôr os pensamentos e sentimentos em dia, como não pensar em absolutamente nada e apenas contemplar (ah...se levarmos uma máquina fotográfica de vez em quando, podemos surpreender o que nunca reparámos no caminho percorrido diariamente).

4.Reaprender a ouvir os outros. Vêm aí dias difíceis e, mais cedo ou mais tarde, qualquer um de nós pode precisar de ouvidos atentos e vozes encorajadoras - enfim, deixemos os ombros amigos para os amigos, que o óptimo é inimigo do bom.

5. Em caso algum desprezar a eficácia. Obter os melhores resultados com o menor esforço possível, treinando a arte de não desperdiçar recursos com burocracias inúteis, estabelecendo, e prosseguindo, objectivos criativos e inteligentes.

6. Olhar menos para os que têm mais do que nós e mais para os que têm menos. É uma prática da tradição judaica-cristã (quer se queira quer não, mesmo a de ateus como eu) muito salutar para qualquer sociedade que se queira próspera.

7.  Nunca permitir que os nossos filhos desprezem a informação, o conhecimento e a sabedoria, sob pretexto de que estão a "estudar para o desemprego" ou qualquer disparate do género. Ensinar-lhes a sua mais-valia inestimável para qualquer pessoa, seja em momentos mais ou menos prósperos dos Estados.

8. Incentivar, apreciar e premiar os sucessos de cada um, porque os êxitos de todos serão a médio e a longo prazo a valorização do país e de todos nós.

9. Ensaiar o espírito associativo de forma inteligente. É preciso começar ir às reuniões das Associações de pais da Escolas e às de condomínio e empenhar-nos em  propor e discutir sugestões importantes, dando o corpinho ao manifesto na sua concretização (deixemo-nos de capelinhas e de esperar que os outros executem).

10. Recuperar o espírito comunitário esquecido no processo de migração para as cidades. Em acções de voluntariado institucional, mas também à nossa beira.  Oferecer-nos para olhar por duas horas pela filha pequena da vizinha, que vem da escola e não tem ninguém em casa para a receber; sugerir ao nosso vizinho com dificuldades em andar, que lhe trazemos as compras quando vamos ao supermercado? Pais ajudam filhos com os netos, filhos ajudam pais.

Um ano de 2012 melhor do que antecipamos para todos nós!

Emigrar é um direito, não um dever


Se os professores "excedentários" ou quaisquer outros profissionais portugueses se virem, face à actual conjuntura, na contingência de emigrar, esse é um direito que lhes assiste. Há que lamentar, desejar-lhes boa sorte e esperar que rapidamente as condições de vida em Portugal melhorem, para que regressem depressa.

Mas, entenda-mo-nos: emigrar é um direito dos cidadãos, não um dever.

Pedro Passos Coelho não pode  aconselhar os seus concidadãos a emigrarem, como o fez hoje, pela simples razão de que a última coisa que um Primeiro-Ministro de qualquer país pode desejar - e muito menos exprimir - é que os  nacionais do país do qual recebeu um mandato para governar, e a quem tem o dever de proporcionar as melhores condições de vida possíveis, saiam ou vejam sair os seus filhos, por aí não poderem viver com dignidade.

Como não é a primeira vez que é dita coisa idêntica por um membro do Governo, há alguma forma de ler este "conselho" que não seja a de se querer transformar, habilmente, o direito de emigrar num dever de emigrar? Era o que nos faltava, de facto.

A mala-pata de Portugal, hoje como sempre, não são as crises, mas a absoluta falta de senso, maturidade e ética dos nossos políticos. É tão triste.

Primeiro e último nome, por favor


Esta manhã, passava os olhos pelo "Público" de ontem e deparei com o anúncio de dois concursos para atribuição de mediação de jogos sociais do Estado, vulgo, totobola, totomilhões e outros totos que nem sei enumerar. Gargalhei com gosto.

Anunciava-se, portanto, a abertura dos concursos e, de seguida, elencava-se os membros do júri. Desinteressante? Absolutamente. O que me chamou a atenção foi que, aos licenciados, antes da graça de cada um, foi colocado o título de Dr. ou Dr.ª, e aos restantes, o de Sr. ou Sr.ª.... Neste último caso, nem sequer, Sr.ª D....., Sr.ª apenas, que o que interessa é  marcar bem a diferença, em provincianas vénias aos Senhores Drs.

Lembrou-me isto o quanto me irrita também, ligar para um serviço público solicitando uma informação, pedir o nome do funcionário com quem falei, e responderem: Liliana, Marta ou João. E eu, "desculpe, Marta quê?", e de lá, "nada, basta Marta, só cá há uma". Como se os serviços públicos fossem jardins de infância e os utentes tivessem entre três e cinco anos de idade.

Não pretendendo ressuscitar o "tema Álvaro",  não entendo por que não somos chamados  pelos nossos primeiro e último nome, e insistimos, ou numa pretensa meritocracia de títulos, ferrugenta, formal, patética e provinciana, ou numa "demeritrocracia" do cidadão indiferenciado, desenraízada e aviltante.

Hum...elucidativo


Descrição de um elucidário de direito, que integra o catálogo recentíssimo de uma editora de publicações jurídicas:

"A obra incide sobre um conjunto de temas recorrentes de direito civil e processual civil, uns que foram apresentados no processo de progressão na carreira, outros preparados exclusivamente como mero exercício ou tratamento teórico do assunto, e, outros mais, desenvolvidos como premissa maior do silogismo judiciário exercitado no âmbito de decisões proferidas em variados processos em juízo."