A boa e velha matemática. Cá vamos, de novo. Pouco posso acrescentar ao que sobre este assunto já disse José Manuel Fernandes, no Público de segunda-feira, já que subscrevo integralmente as suas palavras. Mas, já agora, fica um testemunho pessoal.
Como é que os senhores do Ministério da Educação querem que coloque, daqui a um ano lectivo, uma calculadora nas mãos do meu filho, agora com nove anos, para alegadamente começar a fazer contas que de outra forma não conseguiria? Ele que ainda mal sabe dividir, anda a aprender, titubeante, o real sentido dos números decimais e tem um cálculo mental absolutamente incipiente - dificuldades estas e quejandas que imagino que partilhe com todos os restantes alunos médios do país e que, estou certa, tratará heroicamente de manter, nos 4º, 5º e 6º anos, atentos os resultados dos colegas dele de todo o país que já fizeram os respectivos exames.
Mesmo falando de bons alunos a matemática- deixemos os médios, ainda que deva lembrar que é de médios que o mundo é essencialmente feito - alguém me explica o que é que há de tão fundamental nessas contas que implicam calculadora, que não possa ser aprendido, mesmo por estes, mais tarde quando os conhecimentos básicos de matemática já estejam, mais do que adquiridos, verdadeiramente dominados?
Não seria melhor que o básico da matemática passasse simplesmente por se aprender a efectuar cálculos de uma forma, refazê-los de outra e intuir um terceiro modo de lograr chegar à solução, a partir das duas anteriores, tudo por recurso, apenas, às cabecinhas ainda destreinadas das crianças? Uma frase antiga que se dizia a propósito do etc, merecia ser ponderada pelos senhores do Ministério da Educação que se proponham manter este rumo: uma calculadora há-de ser um descanso para os sábios, não um refúgio para os ignorantes....
E pergunto-me mesmo, se não será uma questão de lealdade ensinar às crianças como fazer, apenas, os cálculos possíveis ao seu nível, mas a fazê-los por si próprias. É que se uma calculadora será um apoio inestimável para quem lhe dê o uso para que foi criada, o de atalhar caminhos já muitas vezes percorridos em segurança, será, certamente, uma perversa inimiga dos ignorantes, daqueles que, incapazes de por si percorrer esses caminhos, acabam reféns dos seus próprios erros humanos na sua utilização.
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