Nada nos será perdoado

«As crianças começam por amar os pais. Passado algum tempo, julgam-nos. Raramente ou nunca lhes perdoam».
Oscar Wilde, mais uma vez.
Em dias como o de hoje, esta frase ribomba no meu cérebro exausto. Sinto que pode cair em cima de qualquer um de nós, não importa qual, e se justa ou injustamente, que o julgamento da criança/adolescente/adulto na versão filho não terá essa medida.
Mas sei, também, que não me posso deixar paralizar por isso. Que a iniquidade que foi cometida contra nós não tem retorno, e que devo prosseguir no seu duro trilho até encontrar paz de novo.
E esse trilho passa também pela urgência de o compensar pelo que lhe foi feito, lutando pelo seu direito a uma vida com qualidade, e até por ter ouvido e calado fundo, sem a explicação que se impunha (mas que contive como continuo a achar que me deveria ter contido, apesar de tudo) para aquela frase chorada: - Mãe, não percebo, nós éramos uma família feliz!
E isto mesmo que antecipe que nenhum erro me será, por ele, perdoado.

2 comentários:

io disse...

o óscar (belíssimo nome para cão) não tinha razão. Todos nós, filhos, perdoamos muitíssimas coisas aos pais. Ainda assim muitas menos que eles nos perdoam a nós.

antuérpia disse...

Só hoje reparei no comentário, querida io. Não tenho emenda. Miss Magoo,é o que sou.
Talvez tenhas razão quanto ao perdoar...já quanto ao julgar, acho inevitável. E quem julga, pode perdoar, mas não esquece.
Enfim, adiante, que o mundo gira hoje como girará por muitos mais anos. E se deixar de girar também já nada disto interessa ;-)