Um pouco de febre, três espirros e duas tossidelas

Quem tem filhos em idade escolar, neste momento, já terá sentido na pele um vislumbre da histeria da gripe A que atacou Portugal.

O meu petiz ficou em casa, no fim-de semana, com gripe manifestamente sazonal. Mas como não brinco com saúde pública, nem tencionava que o gaiato faltasse à escola sete dias, dispus-me a gastar uma quantia relativamente avultada para facultar a necessária segurança à escola. Rastreio da gripe A, resultado negativo.

Terça-feira, justifico a falta do dia anterior na caderneta, envio o mail com o comprovativo do resultado da análise para a Directora de Turma (DT) - que tenho por bastante sensata - com o historial resumido da doença e, ala, puto para a escola que estava bom e recomendava-se.

Recebo, meia hora depois, um telefonema da DT. Teria sabido, pelo miúdo, do mail com o tal comprovativo, mas que seria necessário um certificado médico de que estaria apto frequentar a escola, por não ter ficado em casa sete dias. Razão: as directivas seriam para toda e qualquer gripe e não apenas para a H1N1.

Apelando à sua inteligência, lá a convenci quanto ao despropósito de a escola ou o Ministério da Educação exigirem o tal certificado, para além do comprovativo que cumpria - para mais e nunca para menos - qualquer plano razoável de contingência que, aliás, tanto quanto sabia seria tão só para a gripe A. O assunto ficou por aqui, dando-me apenas nota atenciosa de que estaria tudo bem com o miúdo, também via mail. Sinceramente fiquei convencida de que se tratara de mero excesso de zêlo da professora. Engano.

No elevador, à vinda para casa, depois de me ter assegurado que uma neta sua tinha tido gripe A, uma vizinha acabou, hesitando, a dizer que, enfim, até desconfiava que fora gripe sazonal, mas que a Escola mandara todas as crianças com sintomas de gripe para casa durante dez dias, portanto teria de admitir que sim. A verdade, todavia, contou, era que o médico tinha ficado por um «nim», pelo que previa que aquilo pudesse acontecer mais vezes durante o ano.

Em suma, na dúvida, fica tudo em casa dez dias. Leia-se: sendo certo que qualquer gripe é, mais ou menos, mas por definição, contagiosa, se cada aluno e professor tiver, em média, qualquer coisa que se aparente com uma gripe (um pouco de febre, três espirros e duas tossidelas devem bastar) uma ou duas vezes este Inverno, podemos antecipar um ano lectivo em cheio!

2 comentários:

PV disse...

Pois é, não parece nada mal pensado, num dia cinzento como o de hoje: vamos todos recolher ao lar doce lar e emergir em Maio, ou mesmo em Junho, com as flores dos jacarandás.

antuérpia disse...

Coff, cofff...atchiiiiim :)))