Querido diário vírgula no dia em que o rei faz anos

Eu não sabia quem era o Senhor Alberto  João Jardim, mas o meu irmão Cajó da  borbulhas gigantes e que hoje está em dia de muita paciência, obrigada mano, explicou-me que foi o senhor que ontem deu uma tarde de férias, a partir das 14 horas, aos trabalhadores da função pública das ilhas da Madeira e do Porto Santo, se eu andasse num colégio particular daqueles que estão sempre nos primeiro lugares dos ranquingues das escolas todas, escreveria concerteza arquipélago, mas assim como só tenho sete anos e frequento o 2º ano da escola pública portuguesa ainda só posso dizer as duas ilhas que elas são, mas adiante, porque parece que é costume lá na Madeira dar-se assim a tarde quando é das tomadas de posse dos governos do Senhor Alberto João Jardim, quer dizer, disse o meu irmão Cajó a rir-se muito, pode ser que a dessem também para as tomadas de posse dos governos que não fossem daquele senhor, mas nós não podemos saber porque há trinta anos que são todos tomados apenas por aquele senhor, pelo que os outros mesmo que quisessem também dar aquela tarde, a bem de ver nunca poderiam dar, a mãe, que nunca liga nada ao que diz o Cajó, mesmo quando ele diz coisas assim acertadas, bufou enquanto colocava o ferro de passar a ferro, cá está se eu andasse num colégio privado já teria escrito ferro de engomar, assim, não posso, mas dizia eu que a minha mãe enquanto punha o ferro em cima da minha saia disse que também isto era agora uma embirração que os continentais arranjaram com aquele senhor, que era tudo mas era inveja, porque ele era muito eficiente e muito giro, porque nunca ninguém reparara que isto acontecia há trinta anos e agora é que se punham com notícias destas que não interessavam nada, mas o Cajó riu-se muito, não percebi se da mãe se do Senhor Alberto João, e disse que nunca ninguém reparou porque, como é bom de ver, em Portugal, só quando somos pobres é que contamos tostões porque aquele dia de férias tínhamos sido todos nós a pagar, outra coisa que eu não percebi porque a mãe disse que não nos podia dar mesada por causa da tal osteridade, e agora ele ali a dizer que nós pagávamos uma coisa que eu não posso pagar e que mesmo que pudesse eu não pagava porque eu sabia muito bem que destino dar a essa mesada que a mãe não me dá, a mãe então disse que só havia uma coisa que ela não percebia bem, era porquê que, se a tomada de posse era às 17 horas, as pessoas podiam faltar ao trabalho logo a partir das duas da tarde, e que a menos que o despacho dissesse que era obrigatório fato a rigor, barba feita pela segunda vez, ou cabelo alisado  no caso das senhoras, para se assistir àquela cerimónia pela televisão das casas de cada um, três horas de antecedência, numa ilha com aquela acessibilidades todas, lhe parecia um claro exagero, e um desvio de fundos públicos para causas privadas de muitos dos funcionários públicos que deveriam ter aproveitado a tarde mas era para ir às compras de Natal, e o Cajó que está sempre a rir mesmo quando eu não diga que está, riu-se outra vez e disse que devia ser mesmo isso que eles tinham feito, mas que estava certo que o Senhor depois da posse que estava  a tomar naquele momento, o que eu também não percebi porque ele não tinha nenhuma chávena  de chá na mão para tomar nada, mas não perguntei porque eu já começo a ter este complexo de escola pública e não quero aparecer nos ranquingues das meninas de sete anos que sabem menos que todas as outras só por causa da falta de chá, iria concerteza abrir processos de inquérito para apurar quem seriam os engraçadinhos que dormitaram no momento da sua tomada de posse ou que aproveitaram para antecipar as suas muitas compras de Natal, porque afinal era preciso respeito, e também dar trabalho àqueles funcionários públicos que eram pagos para instruir esses processos e que, portanto, aquela medida era mas era para proteger os empregos dos funcionários públicos que faziam os  processos disciplinares que assim não iam para a rua, nem íam também os que não tinham assistido à tomada de posse por terem ido às compras, ou o que fosse, porque em Portugal toda a gente sabe que esses processos nunca dão em nada e todos podiam continuar a ganhar dinheiro para gastar nos presentes de Natal, em benefício do relançamento da economia nacional, e para o engraçadinho que esteja a detectar que eu aqui usei uma expressão que uma menina de sete anos da escola pública nunca usaria pois fique a saber que pedi ao Cajó para ma ditar com muito cuidadinho, que eu ando na escola pública mas tenho muito brio, e depois o Cajó que está sempre a ler as notícias do jornal para poder rir assim como ri,  assobiou alto e disse que a Madeira estava como Oeiras, muito à frente, porque no despacho do senhor Alberto João Jardim que estava ali copiado para o jornal (lá está, não posso dizer transcrito), a palavra designada "acto" em português arcaico, ele disse-me que esta palavra eu podia escrever que só queria dizer velho e o que é velho não interessa para nada,  mas dizia ele então que que estava escrito "ato" e que isso provava o muito avanço e produtividade dos madeirenses, muito maior que a dos os cubanos do continente, eu não sei porquê que ele nos chamou cubanos que eu achava que esses eram as pessoas viviam num país chamado Cuba mas, lá está, não quero andar a parecer uma miúda do 2º ano da escola pública e portanto também não perguntei, e ele a dar-lhe que, só por isso, os serviços públicos da madeira mereciam aquela tarde de feriado, já deves ter percebido querido diário que eu não percebi muito da conversa do serão de hoje, mas também agora não tenho tempo para pedir ao Cajó para explicar melhor, porque a mãe já lá está outra vez com o seu nem mas, nem meio mas, vai mas é para a cama que amanhã é dia de pica boi, até amanhã!


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